Do Fogão ao Poder. Caminhos trilhados pela mulheres brasileiras.

Francisco Humberto Alencar Bezerra | 2018
  1. INTRODUÇÃO

 

Atualmente, a mulher assume lugar de destaque na sociedade mundial e brasileira. Recentemente tivemos uma mulher no comando da presidência da república. Na Alemanha, tem como primeiro ministro uma mulher, na Inglaterra também.

As duas maiores potências mundiais têm em seus comandos mulheres. Isto demonstra o quão a mulher é importante no contexto social mundial. Lutaram, e conquistaram posições até admitida aos homens. Ganharam respeito, com sua determinação, a mulher ultrapassou barreiras e abismos.

 

Saíram do anonimato e da insignificância e desprezo, e conquistaram poder, admiração e respeito. Deixaram de ser filha, mãe, esposa, doméstica, escrava, índia, negra, para serem doutoras, mestres, excelentíssimas.

 

Superaram o preconceito da cor e da etnia, e hoje, ensinam a democracia, pesquisam, lutam, eternizam suas conquistas.

Irei mostrar, neste trabalho, o quanto a mulher ganhou espaço em no contexto social. Saiu do fogão e ganhou o poder. Deixou de ser mãe e passou a ser provedora do lar. Deixou de ser filha e passou a ser doutora, mestre. Não deixou de ser negra, porém ganhou respeito e dignidade e competência. Não deixou de ser índia, passou a ser detentora de direitos.

 

O quanto a mulher teve ganhos no contexto social, saindo do esquecimento e trilhando direitos. As constituições federais evoluíram e positivaram direitos das mulheres.

 

Preconceito, escravidão, trabalho exausto. Separação das negras brasileiras e suas conquistas. Muita luta, porém, ganharam respeito.

 

Não deixaram de ser índia. Mostraram o quanto são guerreiras e valentes. Superam obstáculos e impuseram direitos.

Por fim, o caminho da mulher no contexto político. Ápice do poder social, a mulher conquista a esfera máxima do comando de um País.

   2. MULHER, FILHA, MÃE, ESPOSA: CAMINHOS EVOLUTIVOS

A mulher no segmento social, ultrapassou os limites da residência, onde tinha o destino de ser “mãe”, “esposa”, “filha”, “avó”, “tia”, etc. A mulher, obteve seu papel de destaque na sociedade, ocupando posições importante no comando social. Pois em virtude de suas qualidades, a mulher de hoje, sem dúvida, passou a dividir com o homem o papel de provedora da família, e muitas vezes é arrimo de toda uma família agregada.

 

Com a evolução do papel feminino no seio social, evoluiu também a família. Saindo de uma estrutura patriarcal e lastreada pelo homem, a mulher assumiu, em muitos casos um papel patriarcal, onde a mulher passou a ser a líder e arrimo de família. Positivando assim, o papel de liderança da mulher brasileira. O patriarcado família brasileiro, perdurou por séculos, e falar de família no Brasil colônia, era falar de submissão da mulher, as ordens e quereres do Chefe de família, ou seja, o Homem.

 

A dominação do homem sobre a mulher, no contexto familiar patriarcal era total. A mulher enquanto solteira era submissa ao pai e ao casar transferia a submissão para o marido. A submissão feminina chegava ao ponto do ato sexual. Pois no domínio social patriarcal, o sexo é somente uma forma de procriação e a mulher não tinha o direito a sua liberdade sexual, tampouco ao prazer. Mas o homem poderia ter relações sexuais fora do casamento, como forma de prazer e não como forma de procriação. Com a virada do século XX, os valores da mulher em relação ao contexto familiar ainda continuaram, mas aos pouco já se demonstravam um ar de mudança – revolução.

 

Com o fim da escravidão e a implantação da República -  período de industrialização, a imigração modificou o panorama do Brasil, consolidou ser uma época de transformações. A família brasileira começou a ganhar espaço, houveram algumas mudanças, porém ainda era claro a subordinação patriarcal. Porém, já era possível, a escolha do conjugue, por exemplo. O Brasil saía de um domínio monarquista - base agrária, para um Brasil República, de base industrial. É neste contexto, que a mulher se torna mão de obra necessária no faminto mundo industrial, levando-a as transformações a que hoje temos.

 

O Brasil ganhou ideais europeus com a imigração, e com eles (imigrantes) vieram os novos valores familiares, onde o sexo e amor eram distintos. O amor, e não mais o sexo, como forma de procriação no casamento. A família passou a ser um lugar de proteção e aconchego. Ganhava-se então, uma nova família no contexto social brasileiro. Consequentemente uma mudança no comportamento feminino desta nova família, ou seja, a mulher deveria ser mais dedicada a família, como educadora e cuidadora dos filhos, assim como na formação moral. Pois, apesar de submissa ao marido, desabrochava uma voz de seu querer. Porém era claro o papel do homem como provedor de lar e a mulher sustentáculo dos preceitos morais e educacional dos filhos, sem contar com os afazeres domésticos.

 

A mudança era inevitável, pois a força da industrialização iria quebrar o paradigma da mulher do lar, e a tornaria uma mão de obra da faminta indústria. Esta nova realidade da mulher no contexto social teve seu ápice quando a mulher detinha 76% da mão de obra da operária da indústria. Este quadro mudou, e a grande oferta de mão de obra, passou a  ser  masculina, em virtude da imigração e do êxito rural. A nova realidade, reduziu a mão de obra feminina na indústria para 20%.

 

A mulher então fica neste dilema de ser uma protetora do lar e ao mesmo tempo participativa na economia da sociedade. Desta forma cria-se, uma estrutura familiar distinta, onde a mulher é educadora e do lar nos casos das famílias ricas, e a mulher se torna mão de obra na indústria e participativa na economia nas famílias pobres.

 

Neste tumultuado contexto social brasileiro, de mudanças bruscas e  ao mesmo tempo tradicional, onde a mulher é do lar e ao mesmo tempo é trabalhadora. Nota-se o surgimento da política voltadas a mulher a e família. Não podemos de deixar de citar que grande parte da população era analfabeta e os professores, digo professoras – mulher, eram as educadoras.

 

A família brasileira estava passando por transformações, onde os jovens pais e formadores de família, tinham em sua formação a valorização da mão de obra, a educação, conhecimento. Por sua vez, a mulher ficava nos dois lados do contexto social: A do lar e a trabalhadora. Assim, a mulher que fosse casar teria que adotar comportamento para tal onde o namoro e noivado são requisitos da formação familiar. Pois aquela moça que não seguissem os ritos que antecipava o casamento, tornaria malvista na sociedade.

 

Com a conquista da mulher no seio social, e sendo o casamento o plano mais importante na vida social da mulher, tem-se como contraponto a separação – diga-se atualmente o divórcio. Esta conquista, foi obtida a duras lutas, primeiro veio a separação de corpos, depois o desquite e por último o divórcio. É um avanço para o contexto familiar que ora passa por transformações.

A evolução de família até agora citado, a mulher saiu de um ser civilmente incapaz – conforme o ordenamento jurídico à época, o Código Civil de 1919, e submissa, passou a ser uma pessoa ativa socialmente, e o casamento acompanhou esta evolução, saindo de um contexto patriarcal e chegando a um estilo de escolhas matrimonial entre homem e mulher.

 

No Brasil, um dos movimentos feminista, teve a atriz Leila Diniz como âncora, no que declarou ser a favor do amor livre e do prazer feminino. Inúmeros outros movimentos feministas surgiram no Brasil e todos tiveram reflexos na família.

 

A igualdade da mulher no contexto familiar, veio com a participação no mercado de trabalho e consequentemente na interferência financeira da família, chegando em alguns casos a ser a principal fonte financiadora da família.

   3. DAS CONQUISTAS SOCIAIS

O contexto atual brasileiro, é de conquistas para a mulher brasileira. Pois no passado opressor em relação a posição da mulher brasileira no contexto social, político e econômico.

 

No dia internacional da mulher do ano de 2017, o Presidente da República, enalteceu a mulher como sendo um sustentáculo da economia por ela saber balizar os preços dos alimentos. Ora, quanto machismo em um dirigente da sociedade, que de certa forma, não acredita na capacidade técnica da mulher.

 

Sem falar no quão é difícil para a mulher ter sua tríplice jornada de trabalho, pois, no contexto social, a mulher, além de exercer sua atividade laboral – igual ao do homem, ainda é mãe – educadora, conselheiras, amiga, e esposa, muitas vezes submissa aos desejos do seu marido. Sem contar que – estatisticamente, a mulher atualmente é a provedora do lar, em muitos casos.

 

É bem verdade que a legislação contribuiu para a desigualdade entre homens e mulheres no contexto social. A legislação brasileira não é uma exceção. Torcemos para uma evolução legislativa, uma vez que a ela cabe a evolução e adequação às problemáticas e atualizações sociais.

 

A Constituição Federal de 1988, atualizou ao longo destes anos em prol dos anseios socais, ao todo foram 8 modificações até a atual. Não tão diferente as legislações complementares também passaram por evoluções, pois são a lei que irão regulamentar e complementar as determinações da Carta Maior do Ordenamento Jurídico Brasileiro, sem esquecer que estas leis complementares não podem ser superiores ao ordenamento maior, no caso a Constituição.

 

A Carta Maior, ao se dirigir ao cidadão, leia-se homens e mulheres, falava do homem com propriedade, visto que a mulher tomava posição inferior na sociedade e consequentemente na legislação brasileira.

 

A Constituição Federal de 1891, foi elaborada por uma sociedade baseada nos aspectos republicanos, do qual aboliu a escravatura e ampliou o direito dos cidadãos, inclusive com a igualdade de direito entre todos, ou seja, a velha e simbólica frase “todos são iguais perante a lei”. Porém, a mulher ainda, continuava sendo marginalizada, digo estavam a margem dos direitos sociais e políticos.

 

Depois de 112 anos - mais de um século depois, é que o Ordenamento Maior da sociedade brasileira – Constituição Federal, abençoou as mulheres com direitos e garantias. A famosa “frase” - “todos são iguais perante a lei”, se tornou uma realidade. Foi a partir de então, que a mulher pôde participar do contexto social, político e econômico, de modo totalitário e igual. Estamos falando de garantias básicas como assistência médica a gestante, dissolução do casamento – divórcio, o direito do sufrágio – votar e ser votada. A mulher começara a participar da vida política.

 

A Constituição Federal de 1937, fechou o Congresso Nacional – casa do povo. Porém a nível de direitos sociais aconteceu ganhos positivos, tais como: assistência a família de muitos filhos, educação integral, direitos iguais dos filhos ilegítimos, entre outros

Com a Constituição de 1946, as mulheres sofreram um retrocesso, ao eliminar no texto Constitucional a expressão “sem distinção de sexo”. O que isso significaria para as mulheres? A dúvida se na famosa frase “todos são iguais perante a lei”, a mulher estaria inserida neste contexto. Entretanto, os direitos civis foi beneficiado com assistência a maternidade infância e adolescência, não havendo mais diferença salarial para a mesma categoria profissional, etc.

 

A Constituição de 1967, não trouxe tantas inovações, conservou os já existentes, e alterou a idade de aposentadoria das mulheres, reduzindo para 30 anos.

 

Na constituição de 1969 e durante o Regime Militar, foram incorporados diversos Atos Institucionais – forma ditatorial de governar, e dentre eles o mais significante e truculento o AI-5, no qual suspendeu os direitos e a maior garantia de cidadania, que é o Habeas Corpus. Além, de suspender os direitos políticos e a restrição dos direitos públicos e privados. Diante deste contexto tanto os homens como as mulheres sofreram perdas de direitos sociais já conquistados.

 

Bons ventos sopraram. Em 1988, data da atual Constituição Federal do Brasil, os direitos dos homens e mulheres votaram a serem estabelecidos. As mulheres por sua vez conquistaram os direitos perdidos e obtiveram novos direitos, com a ampla participação das mulheres na sociedade e da própria sociedade. Dentre as garantias, a igualdade de todos – homens e mulheres, nos direitos e obrigações, na vida civil, no trabalho e na vida familiar.

 

A atual Constituição Federal, dedicou-se aos Direitos Humanos, proibindo a tortura e tratamento desumano, a prática do racismo. Em relação aos Direitos Sociais, o destaque é para os direitos trabalhistas – inclua a efetivação dos direitos da empregada doméstica. No tocante a família, a grande conquista é o divórcio e a guarda unilateral e o pátrio poder igualando homens e mulheres no sustento e educação dos filhos, sem falar na vida política brasileira com a inserção das mulheres no contexto político – Vereadoras, Prefeitas, Deputadas, Senadora e o cargo máximo da representação política que é a Presidência da República, ocupado pela Sra. Dilma, além da mais alta corte do Judiciário ocupada atualmente pela Ministra Carmem Lúcia. Não podia deixar de citar a Presidência do Tribunal Regional do Trabalho do Ceará, que é comandado pela Desembargadora Maria José.

 

O poder familiar foi outro ganho civil para as mulheres, com a regulamentação da União estável e poder de igualdade com os homens nas despesas, obrigações familiares: cuidar e educar os filhos, além do planejamento familiar – dando ao casal o contexto de planejar ou não ter filhos, entre outros atributos. A união estável é destaque, por dar a mulher o status do casamento com todas seus benefícios jurídicos.

 

No âmbito do trabalho a mulher teve um ganho extraordinário, pelo direito e o prazo digno da licença maternidade e recentemente a positivação do reconhecimento do trabalho doméstico, onde as mulheres do lar e as empregadas domésticas obtiveram suas garantias e direitos reconhecidos.

 

Na espera penal, o crime de estupro e estupro de vulneráveis ganharam status de crimes hediondos – que significa um crime que deve ter uma maior reprovação por parte do Estado, através da lei 8.072/90.

 

Outro tópico que merece total atenção é o Estatuto da Criança e Adolescente e do Idoso, que tipificam os crimes contra crianças, adolescentes e idoso, tornando assim mais rigorosa suas punições, como a efetividade de punibilidade. Vale destacar que houve uma evolução contra os crimes contra a mulher, a entender que no passado a mulher não tinha seus direitos e os eram comparados aos escravos, no tocante aos crimes de morte. Vale ressaltar que o crime de homicídio em nome da honra – adultério, era considerado como normal e geralmente acontecia a absolvição do agressor – o marido, homem. Não poderia deixar em branco o crime de estupro conta a mulher da vida – prostituta, que não existia na tipificação do código penal, por considerar que ela aceitava tal ato, por ser uma mulher libertina. Um registro sobre o crime de adultério é que fora extinto em 2005, pois tem como base a fidelidade reciproca do casal como deveres do matrimônio e o divórcio como sendo um escape para tal ato praticado.

 

Outros crimes de destaque no código penal foram os tipificados na lei 12.015, referentes a natureza sexual, como o estupro, crimes contra os costumes e contra a diversidade sexual assim como a dignidade sexual. Não podendo deixa de mencionar o crime de sedução de menores e os crimes sexuais contra vulneráveis.

 

Aborto é outro tema a ser explorado e evoluiu com o tempo é a questão do aborto que é considerado um crime com exceção da interrupção da gravidez de feto anencéfalo (sem cérebro) e o aborto terapêutico que é praticado para salvar a vida da mãe ou resultado de estupro. 

 

E por fim, na esfera penal, a Lei Maria da Penha ou lei 11. 340 – que combate à violência doméstica, inovou a legislação interna ao mundo, dando-lhe o exemplo da dignidade da Mulher humana. O impacto que a lei Maria da Penha deu a sociedade foi sem dúvida muito importante, visto que atingiu a fins sociais.

 

Em conclusão, digo, no decorrer destes cem anos – um século, as mulheres obtiveram resultados positivos e conseguiram a duras lutas conquistar o seu espaço na sociedade de forma efetiva. Atualmente é sem dúvida que a mulher tem um papel importante na vida política brasileira, como já mencionei, a mulher atingiu o ápice de sua conquista com a Presidência de República, posto maior do comando político de um pais. Sem deixar de mencionar os demais postos profissionais ocupados pelas mulheres: médicas, enfermeiras, taxistas, motoristas profissionais, engenheiras, etc. e o mais digno que é o reconhecimento da vida laboral doméstico, que muitas vezes é o terceiro expediente da mulher, pois ela é trabalhadora, mãe e educadora e ainda esposa.

    4. PRECONCEITO RACIAL DA MULHER

O contexto da mulher e em especial da mulher brasileira, ultrapassou os limites da residência – do lar, adentrou no contexto social. Deixou de ser mãe, esposa, filha, avó e passou a ser gerente, diretora, executiva, presidente, obtendo assim um papel de destaque na sociedade. Em virtude de suas qualidades a mulher de hoje sem dúvida passou a dividir com o homem o papel de provedora da família.

 

Este avanço social se deu por causa das conquistas em nível social, pois elevaram-se nos aspectos intelectuais, profissionais, dando-lhe a possibilidade à ascensão.

Porém nem todas as conquistas e superações aplica-se na plenitude da trajetória da mulher. Pois mulheres de classes sociais – grupos sociais, vivenciaram suas conquistas e superações de formas diferentes e muitas não objetivaram tal sucesso ou conquista.

 

Qual foi a trajetória das mulheres negras brasileiras? – Digo, qual é a trajetória da mulher negra brasileira? Resposta é muito mais sacrificante que a mulher branca brasileira. Apesar do Brasil ser miscigenado em cor, raça, religião, costumes, etc., existe sim uma classificação social em relação as mulheres e sua cor.

 

A raízes da desigualdade é a primeira das barreiras que a mulher negra brasileira vivenciou em relação as mulheres branca da elite social – período este que compreendeu da escravidão até o início do século XX. O desabrochar de um novo período – século, as mulheres negras ficaram subservientes à ascensão social. As negras brasileiras, ficaram nos subempregos, bem longe da ascensão profissional e educacional das mulheres brancas. (5) (6).

 

O novo século, desenhado pela sociedade branca à época, traçava prosperidade e laços culturais que de longe não atingia a cobiça nem tão pouco o desperta das mulheres negras, pois a elas não cabiam em tal projeto. Neste contexto, as mulheres negras, coube os terreiros de candomblé e macumba assim como as benzedeiras e parteiras.

 

Época de expulsar as negras brasileiras da região central das grandes cidades – em especial o Rio de janeiro, pois seria palco da burguesia (8). Palco este destinado a homens de paletós, camisas de linho, chapéu, mulheres de saia rodada, bem diferente a indumentária negra.

 

Hora de trocar de empregados negros para os imigrantes, pois esteticamente parecia com os brancos da elite burguesa que estava se instalando no novo Brasil.

 

Abolida de vez a escravidão e a vinda os imigrantes, tem-se o quadro novo no mercado de trabalho brasileiro. A mobilidade dos libertos que tanto sonhavam, estava podada pelo novo sistema econômico e social que ora se instalava no Brasil. Mulheres negras, livres e libertas o que fazer? Onde trabalhar? Vem a hora da verdade. Em uma sociedade burguesa e de dominação branca, cabe as negras os empregos que nem os brancos e nem os imigrantes queriam, restavam os subempregos e a mais baixas remunerações. A ocupação dominante das mulheres negras brasileiras eram os serviços domésticos – serviçais. Quando muito trabalhavam prestando serviços as casas de família lavando as roupas dos brancos.

 

Além dos trabalhos domésticos e subempregos as mulheres negras, detiveram da religião – em especial o candomblé como meio social e financeiro.

 

Assim se estendeu o mercado de trabalho das mulheres negras pelo nosso Brasil. Ou seja, os postos de trabalho na indústria e comercio eram de preferência à imigrantes e aos brancos. 

 

Já na década de 50, a depender da região, o quadro dos postos de trabalho inverteu para as mulheres negra, pois já ultrapassavam as mulheres brancas na indústria, que migrara para o setor público e burocrático pela sua condição educacional.

Nem mesmo com o advento da Constituição Federal de 1988 e a criminalização do racismo, o preconceito de cor ainda existe e persiste no Brasil.

 

O Brasil cresceu e mudou, veio a tecnologia e a globalização, porém o preconceito ainda é presente e influencia no mercado de trabalho. Pois os cargos das mulheres negras ainda são inferiores aos das mulheres brancas. Existem exceções, mas na grande maioria é representativa a participação da mulher negra em empregos inferiores. Dados estatísticos mostram que a negras adentram no mercado de trabalho mais cedo que as mulheres brancas – necessidade financeira e de sobrevivência.

 

A ascensão social pela educação é uma forma pela qual as mulheres conquistaram seu espaço no mercado de trabalho e consequentemente no âmbito social – em especial as mulheres brancas, ao contrário das mulheres negras que tiveram e tem – nos dias atuais dificuldade em relação à ascensão pela educação. No período escravocrata ainda era pior, pois a condição de escravo, proibia o acesso à educação.

 

Porém algumas mulheres negras, renderam-se em economizar e proporcionar aos seus filhos educação – início do século XX, assim, muda-se o cenário e a possibilidade da ascensão pela educação. Pois foi a partir de algumas famílias negras e instituições que os negros de forma em geral tiveram acesso à educação. A exemplo a poetisa potiguar Auta de Souza e a educadora, jornalista e deputada catarinense Antoniete de Barros.

 

A educação é uma forma de ascensão social, e para as mulheres negras é mais ainda, é uma forma de sair da estigmatizada vida de senzala. Como já dito anteriormente a questão educacional das mulheres negras é uma questão social, portanto as instituições dos movimentos negros, tomara para si, o cunho educacional a exemplo da Frente Negra Brasileira.

 

A mulher á acima de tudo multifuncional pois além de trabalhar ainda tem as tarefas e obrigações da família – filhos e casa. O contexto social progrediu e a mulher assumiu o papel de chefia da família e não foi diferente para as mulheres negras que em números estatísticos são em maioria em relação as mulheres brancas.

 

Em parte, a Frente Negra Brasileira (FNB), teve uma função especial na ascensão social da mulher negra, além do Conselho Nacional das Mulheres Negras composto especialmente por empregadas domésticas. Porém com o golpe militar de 1964 os direitos foram cerceados e os movimentos negros inviabilizado. Porém os movimentos retomaram e ganharam força e plenitude.

Um dos marcos do feminismo brasileiro foi a participação das mulheres negras na Terceira Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e as Formas Conexas de Intolerância, realizada em 2001, em Durban, na África do Sul.

 

Outro ponto importante na conquista da mulher negra foi sua chegada ao poder, a exemplo foi a médica Edialeda do Nascimento nomeada para a secretaria de Promoção Social no governo de Brizola e Benedita da Silva como a primeira senadora mulher negra do Brasil em 1994, entre tantos exemplos que ora vigora no nosso país de mulheres negra conquistando espaço no poder.

 

Conclui-se que as mulheres negras, obtiveram seu espaço social através de muitas lutas e conquistas. Souberam usar com maestria os poucos espaços que lhe foram dados pela sociedade hierárquica e racista, pois enfrentaram com as condições sociais adversas e superaram as desigualdades que lhe foram impostas.

   5. ETNIA INDÍGENA: A SUPERAÇÃO DA MULHER

O papel dos homens e mulheres na sociedade indígena, têm papeis distintos em algumas sociedades indígenas – povo jês, os homens têm poder formal, já no caso dos tupis – povos tupis, quem têm o poder são as mulheres – matrilineares. Podemos notar que a mulher tem um papel importante na sociedade indígena, assumindo o controle se seu povo, assim como, na sociedade atual, onde a mulher assumiu o pátrio poder – poder familiar.

A liderança política na sociedade, no entanto, assim como na sociedade brasileira, em grande parte é exercida pelo homem, cabendo a mulher a tarefa da alimentação e cuidado dos filhos. A mulher brasileira, já detém seu espaço no poder político e divide as tarefas de cuidar dos filhos como o homem.

Por outro lado, a mulher indígena tem sua participação nas decisões da sociedade e as faz de forma discreta, porém convincente. Cabe a mulher indígena a tarefa de alimentar os filhos, necessidade da qual a mulher mãe faz com louvor e dedicação.

Em relação a educação – outra tarefa feminina, faz necessário separar a educação indígena da educação escolar indígena. A educação indígena é de responsabilidade da família e da comunidade – laços de poder comunitário. A mãe – mulher indígena, é quem da os primeiros passos no tocante a educação do seu filho, até mesmo porque é com ela que ele passa a maior parte de seu tempo – literalmente amarrado a mãe, enquanto o pai é o provedor a alimentação e sustento da família.

Por isso a formação indígena da personalidade é de inteira responsabilidade da mãe. Já a coletividade e o pai passam para a criança a noção social – coletivo.

A noção de coletividade é muito forte na sociedade indígena, filho de quem? De que aldeia? Estas respostas mostram o caráter de um índio.

Os espaços políticos da sociedade indígena em relação as mulheres indígenas. Ainda é muito pouco, pois é uma comunidade machista, porém de forma tímida as mulheres estão tomando seu espaço político.

Toda sociedade vive em transformação e tende a ser influenciada por outras sociedades e não é diferente das sociedades indígena. Segundo a autora, ouve uma assimilação das influencias das mulheres brancas e negras na política, assim aos pouco as mulheres indígenas estão tomando consciência política.

Um dos traços mais marcante em uma comunidade é a sua língua original, à tradição indígena tem muito em especial em relação a sua língua. Porém, muito dos povos, perderam os idiomas tradicionais em função do cotidiano e por pressão e proibição.

Durante a ditadura militar a proibição da língua nativa, deu-se de forma a prejudicar as mães e crianças. Pois ambas perderam suas identidades – papel de mãe e as crianças a língua nativa de seu povo. O choque sem dúvidas veio prejudicar a formação e a transformação dos povos indígenas. Neste sentido a autonomia das tribos indígenas fora violado e positivaram a perda da sua identidade cultural e como comunidade.

É salutar que as comunidades indígenas mudassem de comportamento, pois com a pressão do meio exterior, a opressão do regime e demais circunstancias que vos cercam, a comunidade indígena passará por uma transformação comportamental.

Na verdade a influência externa – sociedade não indígena, acabou influenciando e transformando os costumes das aldeias, o alcoolismo, drogas e a prostituição são fatores externo que veio transformas a sociedade indígena.

Com a influência externa e a mudança de comportamento da sociedade indígena, aconteceu uma transformação nas organizações indígenas, e como tal, a influência externa também, alterou a organização interna indígena.

Os movimentos indígenas tiraram as mulheres de dentro da aldeia e as fizeram voz e vez, assim puderam discutir de igual para igual como os homens e se manifestar sobre os problemas das aldeias, com isso deixaram as mulheres mais fortes e com liderança.

Com a saída das mulheres indígenas das aldeias e sua voz e vez, fez surgir o instinto político das mulheres indígenas, os movimentos foram o palco para tal transformação, pois de discutia desde da educação até as demarcações das terras indígenas.

A qualificação técnica e profissional das mulheres indígenas – depois de sua saída da aldeia, lhe deram asas ao crescimento e desenvolvimento. Atualmente é comum vê-las em mestrados, doutorados, funcionárias públicas, etc.

As mulheres indígenas chegaram a qualificação educacional e profissional. Pois ao sair dos limites das aldeias – comunidades, e adentrarem no mundo – universo social não indígenas, estão sujeitas as transformações e adaptações. Pois desvendam o novo mundo com um novo olhar. Sem falar, no estado de necessidade de sobrevivência no mundo novo. Desta forma as mulheres indígenas, como já mencionado anteriormente, adentraram nos estudos e por sua vez na qualificação profissional.

As transformações das mulheres indígenas, deve-se ao entrosamento das comunidades indígenas e não indígenas, assim como as influencias sofridas pela sociedade.

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

NOVA HISTÓRIA DAS MULHERES DO BRSAIL. Ed. Contexto. São Paulo – SP (2012).

Brasil Escola. O PAPEL DA MULHER NA SOCIEDADE. Disponível em:<http://brasilescola.uol.com.br/sociologia/o-papel-mulher-na-sociedade.htm>. acesso em 11 de junho de 2017.

SANTOS, Aline Tosta. A construção do papel social da mulher na Primeira República. Disponível em<https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/14404/14404.PDF>. Acesso em 11 de junho de 2017.